Abertas as inscrições para curso de extensão sobre psicanálise, matemática e educação

15/03/2019 12:43

Estão abertas as inscrições para o curso de extensão "Introdução à Psicanálise e suas Relações com a Matemática e a Educação", ministrado pelo Prof. Julio Faria Corrêa. Os encontros serão sempre às quartas-feiras, das 16h30min às 18h00, no Campus Blumenau. A iniciativa é aberta à comunidade em geral e gratuita.

O objetivo é introduzir o estudo da psicanálise lacaniana para qualquer pessoa interessada no assunto e estabelecer relações com a Matemática e a Educação. O curso será baseado no comentário das Conferências Introdutórias à Psicanálise que foram pronunciadas por Freud entre 1915 e 1917 na Universidade de Viena. Com base neste comentário serão problematizadas as relações com a Matemática e a Educação.

O comentário será realizado por meio da exposição dialogada com os participantes do curso. Serão realizados, ao todo, trinta encontros semanais, ao longo dos dois semestres letivos de 2019. O curso contará também com apresentação de trabalho sobre livro Submissão de Michel Houellebecq. Espera-se despertar o interesse pela psicanálise e suas relações com a Matemática e a Educação, além de criar as bases para o comentário da obra de Jacques Lacan.

Inscrições e projeto completo em http://juliocorrea.paginas.ufsc.br/

Tags: educaçãoExtensãoFreudpsicanálise

Tecnologia e indústria são temas de aula inaugural do Mestrado Acadêmico em Engenharia Têxtil

12/03/2019 19:21

Para abrir os trabalhos do Mestrado Acadêmico de Engenharia Têxtil (PGETEX/UFSC) a coordenação do programa convidou o pesquisador Antonio Augusto Ulson de Souza para uma aula inaugural, no dia 14 de março (quinta-feira), às 19h, no auditório da Sede Acadêmica (bloco B- 1º andar). Com o tema "Desafios Tecnológicos do Setor Têxtil e Confecção", o evento contará ainda com a presença da Vice-reitora da UFSC, Alacoque Lorenzini Erdmann, do Superintendente de Pós-Graduação da UFSC, Juarez Vieira do Nascimento, do Pró-Reitor de Pesquisa, Sebastião Roberto Soares e do Presidente do Sindicato Indústria Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (SINTEX), José Altino Comper.

Antonio Augusto Ulson de Souza possui um currículo que traduz , e muito, sua experiência no tema em foco. Docente da UFSC (CTC/EQA), atua na área de Engenharia Química, com ênfase em Têxteis, Petróleo e Petroquímica, Meio ambiente e Produtos Naturais. Graduado em Engenharia Química pela UFRJ, Mestre em Engenharia Química pela UNICAMP e Doutor em Engenharia Mecânica pela UFSC, o palestrante convidado realizou ainda pós-doutoramento na University of California at Davis (Estados Unidos).

Bolsista produtividade CNPq, lidera o Grupo de Pesquisa TECTEXTIL, focado no Desenvolvimento Tecnológico Têxtil, desde 1999. Desempenhou ainda várias atribuições de chefia e coordenação na UFSC. Sua produção inclui mais de 160 (cento e sessenta) artigos em periódicos especializados, 482 (quatrocentos e oitenta e dois) trabalhos em anais de eventos, 07 (sete) capítulos de livros publicados, 07 (sete) depósitos de patente e 404 (quatrocentos e quatro) itens de produção técnica. Entre 1986 e 2017 participou de 69 (sessenta e nove) projetos de pesquisa – destes, em 40 (quarenta), como coordenador. Atualmente participa de 05 (cinco) projetos de pesquisa, atuando como coordenador em 01 (um).

Inovação para impulsionar o setor - berço de um dos polos têxteis mais dinâmicos do país, Blumenau movimenta a economia não só por meio da produção industrial, mas por toda a cadeia de comércio e investimentos gerada pelo segmento têxtil. Sede de uma das maiores feiras do ramo na América Latina, a FEBRATEX - que movimenta investimentos superiores a R$ 1 bilhão - os empresários atualmente apostam na inovação e na tecnologia como formas de criar produtos diferenciados e com alto valor agregado. Na ordem do dia estão redução de custos, agilização de processos e a sustentabilidade das ações do ponto de vista ambiental - três aspectos contemplados pelas linhas do Mestrado Acadêmico em Engenharia Têxtil.

"Nossa visão, com a graduação e agora com a pós-graduação em Engenharia Têxtil no Campus Blumenau da UFSC, é sermos referência e parceiros da indústria. Queremos desenvolver pesquisas conectadas às necessidades do setor e, ao mesmo tempo, contribuir com o aperfeiçoamento de qualidade dos profissionais do ramo. Certamente teremos resultados frutíferos em médio e longo prazo", avalia o coordenador do PGETEX, José Alexandre Borges Valle.

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O quê? Aula inaugural do Mestrado Acadêmico em Engenharia Têxtil - Palestra com Antonio Augusto Ulson de Souza: "Desafios Tecnológicos do Setor Têxtil e Confecção"

Quando? 14 de março de 2019 (quinta-feira)

Onde? UFSC Blumenau - Rua João Pessoa, nº 2750, bairro Velha. Bloco B - auditório.

Quanto: gratuito

 

(Camila Collato/Comitê de Comunicação UFSC Blumenau)

Tags: engenhariainovaçãomestradotecnologia

PréUFSC: estudante de Indaial conquista aprovação em Medicina na UFSC

10/03/2019 19:33

"Eu queria mostrar que a escola pública também pode", afirmou Érick Schnorrenberger, aprovado no Vestibular UFSC 2019 para o curso de Medicina.

Érick e o pai, Lauro, retornam ao Campus Blumenau após a aprovação (Foto: Camila Collato/UFSC Blumenau)

A preparação para o vestibular é um desafio que abrange uma série de fatores, que vão desde o curso a ser escolhido, até questões pedagógicas e socioeconômicas de acesso à escola, materiais, professores e cursinhos preparatórios. Para quem almeja carreiras como Medicina é preciso ainda ter foco para não se deixar abalar pela alta concorrência. No último vestibular da UFSC, o curso somou 204 candidatos/vaga mantendo-se no topo do ranking das carreiras mais disputadas.

Mas tudo isso não desanimou Érick Schnorrenberger, de 18 anos, então estudante da EEB Raulino Horn, de Indaial/SC. Com o suporte das aulas do PréUFSC, cursinho gratuito oferecido pelo Campus Blumenau, e o apoio da família ele conquistou a tão sonhada vaga e iniciará, em agosto deste ano, os primeiros passos na carreira médica na UFSC.

Quando convidado para falar um pouco sobre sua experiência nesse processo, Érick veio acompanhado do pai Lauro Schnorrenberger, que não continha o sorriso orgulhoso estampado no rosto. De família simples, oriunda de Itapiranga, no Extremo Oeste catarinense, o novo calouro da UFSC aprendeu desde cedo o significado de persistência e o gosto pela leitura com os pais. "Desde crianças eles [referindo-se também à irmã, Ketlyn] devoravam gibis. A gente tinha que contar várias e várias vezes histórias para eles. Também sempre estavam na biblioteca municipal de Indaial. Voltavam para casa com pilhas e mais pilhas de livros", recorda Lauro. Para ambos, a educação para a leitura foi de vital importância no desenvolvimento de competências como concentração e interpretação.

Érick acompanhado dos pais, Marlene e Lauro, e da irmã Ketley no campus Florianópolis da UFSC, onde iniciará os estudos no segundo semestre.

No 8° e 9° ano do fundamental, Érick participou das competições da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP), conquistando a medalha de bronze e uma bolsa do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC). Essa experiência o motivou a seguir sozinho na preparação para o vestibular durante o ensino médio. Mesmo com um boletim impecável - com notas que variavam em sua maioria entre 9,0 e 10,0 - o estudante não relaxava na rotina escolar. "Eu sempre estudei muito...assim, eu sempre fui o nerd da sala [risos]. Sempre fiz mais do que precisava, para além dos trabalhos, das provas. Os professores me questionavam por que eu estudava tanto se eu já estava com notas excelentes para passar. Mas eu sabia que se eu quisesse aprovar no vestibular, tudo tinha que ser diferente", contou.

Logo no 1° ano do ensino médio o estudante começou a fazer simulados e no 2° ano adquiriu um cursinho online, elaborando por conta própria os cronogramas de estudos. "No mesmo ano eu fiz o Enem e o vestibular da UFSC e me saí relativamente bem", contou. Nesse intervalo de cerca de dois anos, com o auxílio dos pais, Érick conseguiu subir sua média de pontuação no Enem de 450/480 para 740. Em 2018, depois de conversar com os professores e ler mais a respeito da profissão médica, veio a decisão pela graduação a ser seguida. "Eu sabia que Medicina era o curso mais concorrido da universidade, mas então pensei que se eu passasse para este, caso eu quisesse trocar de opção depois, teria condições de ser aprovado em qualquer outra graduação", explicou. O vasto campo de pesquisa proporcionado pela área das ciências da saúde também chamou a atenção do estudante, que já cogita desenvolver projetos.

Muita leitura, exercícios e pouca rede social: rotina de estudos somava 10 horas diárias ou mais. (Foto: Camila Collato/UFSC Blumenau)

A rotina de estudos era rigorosa: começava às 7h30min na escola e se estendia até às 22h em casa, de segunda a sexta. Aos sábados, Érick vinha ao Campus Blumenau para assistir às aulas do PréUFSC. Redes sociais e aplicativos de mensagens? Nem pensar. "Eu saí do whatsapp, era muita distração", afirma sem vacilar. "Eu lia os livros do vestibular e fazia todas as questões das provas anteriores: imprimia e resolvia tudo na mão, para sentir mesmo como era", recorda. Aos finais de semana, para descansar a mente, aproveitava para tocar violão, viola, jogar bola e ficar com a família. Não sem antes reservar um tempo aos domingos para o planejamento da semana seguinte.

No PréUFSC, Érick entrou em contato com muitos conteúdos anteriormente vistos no colégio, mas agora de forma aprofundada, algo que as aulas regulares não conseguiam suprir, em sua opinião. Para ele a receptividade e o suporte da equipe do cursinho, com monitorias, oficinas e apoio psicopedagógico foi fundamental, além do contato constante com os graduandos o que, segundo ele, permitiu diminuir a ansiedade projetada acerca dessa nova etapa da vida. "A gente que estuda na escola pública às vezes não sabe muito bem como que é a universidade. E é muito difícil participarmos de coisas como as que foram oferecidas nas oficinas, tanto de redação quanto nessa parte de apoio psicológico, além de aulas sobre física moderna ou exercícios práticos de química como os que fizemos nos laboratórios", relatou.

Quando questionado se havia feito provas para mais de uma universidade, ele explica que sua estratégia foi esmiuçar ao máximo o certame da UFSC e apostar apenas na instituição, por causa de fatores como permanência e distância da família. "Como eu estava estudando sozinho, foquei na UFSC porque o estilo da prova é bem diferente (somatório). Nos cursinhos especializados a gente sabe que o pessoal estuda o dia todo para todas as universidades, mas cada prova é diferente. Então eu fui só nela (UFSC), era tudo ou nada. E deu certo", comemora.

Sobre as contribuições que pretende deixar agora como aluno regular da UFSC, Érick ressalta fatores que ultrapassam os anseios individuais. "Eu queria mostrar que quem vem da escola pública também pode. Para mim, todo estudo reflete a interação humana. Por isso não basta só estudar: é preciso ser humano, conversar com as pessoas, olhar no olho. E lembrar que não há só coisas ruins no mundo, têm muitas pessoas que fazem tudo valer a pena. Acho que é isso que eu quero deixar como exemplo".

(Camila Collato/Comitê de Comunicação UFSC Blumenau)

Tags: aprovaçãomedicinapúblicaufscVestibular

UFSC Explica: Dia Internacional da Mulher

08/03/2019 14:21

Nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, convidamos três pesquisadoras da UFSC para falar sobre o cenário histórico e atual das lutas das mulheres por direitos e sobre a importância dos estudos na área. A série “UFSC Explica” oferece o viés acadêmico, com participação de pesquisadores da instituição, sobre assuntos em evidência na sociedade.

(Agecom/UFSC)

Tags: 8MDireitosFeminismoMulheres

Inep: Mulheres são maioria na educação superior e profissional

08/03/2019 14:06

Os dados mais recentes do Censo da Educação Superior, referentes a 2017, mostram a predominância das mulheres na educação superior. Elas são 55% dos estudantes ingressantes, 57% dos matriculados e 61% dos concluintes dos cursos de graduação. Na licenciatura, por exemplo, 70,6% das matrículas são do sexo feminino.

As mulheres também são maioria nos cursos profissionais da Educação Básica. Dados do Censo Escolar 2018, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram a predominância de alunas em todas as faixas etárias, com exceção dos alunos com mais de 60 anos. A maior diferença observada entre os sexos está na faixa de 40 a 49 anos, em que 60,7% das matrículas são de mulheres. Para o Censo Escolar, educação profissional engloba cursos de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional articulado à EJA ou ao ensino médio; ou cursos técnicos de nível médio nas formas articuladas (integrada ou concomitante) ou subsequente ao ensino médio.

Gráfico – Número de matrículas na educação profissional segundo faixa etária e sexo – Brasil – 2018 Fonte: Elaborado pela Deed/Inep com base nos dados do Censo da Educação Básica

Distorção idade-série – A proporção de alunos do sexo feminino com defasagem de idade em relação à etapa que cursam é menor do que a do sexo masculino em todas as etapas de ensino. Os dados são do Censo Escolar 2018 e consideram as classes comuns (não exclusivas de alunos com deficiência). A taxa de distorção idade-série é o percentual de alunos, em cada série, com idade superior à idade recomendada. A maior diferença entre os sexos é observada no sexto ano do ensino fundamental, em que a taxa de distorção idade-série é de 31,6% para o sexo masculino e 19,2% para o sexo feminino.

Gráfico – Taxa de distorção idade-série por etapas dos ensinos fundamental e médio segundo o sexo – Brasil – 2018 Fonte: Elaborado pela Deed/Inep com base nos dados do Censo da Educação Básica

Resultados – Todos os dados do Censo Escolar 2018 estão disponíveis no Portal do Inep, em diferentes instrumentos de divulgação. As Notas Estatísticas resumem os principais resultados; enquanto o Resumo Técnico apresenta os dados em série histórica. As Sinopses Estatísticas, por meio de tabelas, trazem dados desagregados por estado e município. Os Microdados permitem cruzamentos de variáveis diversas a partir de programas estatísticos. Também estão atualizados os Indicadores Educacionais da Educação Básica: Média de Alunos por Turma, Indicador de Adequação da Formação do Docente, Percentual de Funções Docentes com Curso Superior, Média de Horas-Aula Diária, Indicador de Complexidade de Gestão da Escola, Indicador de Esforço Docente, Indicador de Regularidade do Docente, Taxa de Distorção Idade-Série. Todos os instrumentos de divulgação cumprem a finalidade institucional de disseminar as estatísticas educacionais do Inep e estão reunidos no Press Kit do Censo Escolar 2018.

Censo Escolar – Principal pesquisa estatística sobre a educação básica, o Censo Escolar é coordenado pelo Inep e realizado em regime de colaboração entre as secretarias estaduais e municipais de educação. Com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país, abrange as diferentes etapas e modalidades da educação básica: regular, especial, profissional, jovens e adultos (EJA).

(Fonte: Inep com informações do site da Andifes)

AGECOM/UFSC

Editora da UFSC lança concurso literário para roteiros de teatro e cinema

06/03/2019 17:30

A Editora da UFSC, ao longo de seus 38 anos de atividade no mercado editorial, em especial no campo das universidades federais, publica obras de variadas áreas do conhecimento.

Para dar a devida atenção à área de Literatura, por si só imensa, abrangente e complexa, a Editora da UFSC promove anualmente concursos literários que contemplam os diversos gêneros literários, cuja premiação é a publicação da obra selecionada em cada concurso. Já foram editadas Ao que minha vida veio…Suéter laranja em dia de luto seguido de Não sempreCrônicas das cidades partidasCurralGuia literário para machosPoesia religiosa: antologiaOs mortos de abril: pequeno diário higiênico, todos disponíveis para venda em livraria.ufsc.br.

Em 2019, a Editora da UFSC realizará o Concurso Odília Carreirão Ortiga II de Roteiros de Teatro e Cinema.

Acesse o Edital e a Ficha de inscrição!

(Fonte: Editora da UFSC)

Tags: cinemaconcursoEditalliteraturaroteiro

Aos 79 anos, calouro é aprovado em Engenharia de Controle e Automação na UFSC Blumenau

25/02/2019 15:47

Ivo Klug é casado com Vera Regina e pai de Alessandra, Jamile e Pedro Ivo. Aos 79 anos é o candidato mais idoso aprovado no Vestibular 2019 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A partir do segundo semestre deste ano, quando estará com 80 anos, iniciará o curso de Engenharia de Controle e Automação no Campus Blumenau, sua segunda graduação.

Em duas horas e quarenta minutos de entrevista, Klug contou, em detalhes, sobre a sua trajetória profissional e acadêmica. Os detalhes, como datas e nomes exatos de cursos e empresas, estavam metodicamente organizados em uma pasta que ele trouxe para a entrevista, “tenho ela desde o começo e consulto quando tenho uma dúvida. Acrescentei algumas coisas por causa de ti”.

A vitalidade de Ivo é visível nas expressões faciais e na tonalidade da voz ao contar histórias e feitos. Passou por diversas empresas, algumas cidades, viajou para o exterior, fez uma série de cursos e uma pós-graduação e agora, 50 anos após a conclusão do curso superior em Engenharia Mecânica na Federal do Paraná retorna aos bancos escolares para aprender, ‘com profundidade’, sobre projetar, analisar e usar sistemas de controle e automação na área de concentração Controle de Processos.

A escolha pela UFSC e pelo curso não foi um mero acaso. Todos os passos foram analisados, estudados e preparados para que a aprovação fosse possível. Ivo frequentou aulas no Campus Blumenau em 2017, quando cursou a disciplina de Física I como aluno isolado. Foi aprovado com média 7,5, se apaixonou por Controle e Automação, pela estrutura e pelos professores. Esses motivos foram suficientes para que decidisse prestar o Vestibular 2019. “A prova foi difícil, cansativa, são três dias. Fui bem em matemática, mas não consegui fazer todas as discursivas. É muito diferente da minha época”.

Quando soube que seria calouro da UFSC, após confirmação de aprovado na Secretaria do Campus, Ivo disse: “‘então quer dizer que eu estou dentro?’. Dei um berro ali fora, sabe aquele de emoção?”. “Eu fiquei muito emocionado, é uma grande alegria. Eu me senti não no céu ainda (rsrs), mas bem pertinho”, relata ele com o Boletim de Desempenho Individual nas mãos.

A vocação para a engenharia

É notório perceber que a busca por conhecimento é constante e incansável durante a vida de Klug, mas isso parece ter sido feito com muita leveza e diversão. A caminhada escolar começou em 1948, com o primário. O ginásio foi entre 1952 e 1954, seguido pela passagem de um ano no 23° Regimento Infantaria de Blumenau (atual Batalhão de Infantaria) e a conclusão do ensino médio em 1959 no Colégio Pedro II. A decisão de ir ou não para a faculdade não aconteceu de imediato, foram necessários alguns anos e a passagem por uma companhia cervejaria, em Porto Alegre, para que a sua vocação aflorasse. “Fui para lá para trabalhar com química, tive a proposta de ir para a Alemanha me especializar na produção de cerveja, mas recusei, porque descobri a minha vocação. Foi na empresa que o meu caminho se abriu, eu nunca tinha pensando em engenharia antes, mas quando vi as máquinas tive uma vontade de pegar aquilo, entender, saber como ela funciona, seus princípios básicos”, revela Ivo, apertando as mãos no ar para ilustrar com gestos a paixão pelas máquinas.

A primeira graduação foi em Engenharia Mecânica concluída em 16 de dezembro de 1968 pela Escola de Engenharia de Curitiba. A segunda começa no segundo semestre deste ano em Blumenau. Novamente, uma universidade federal é escolhida para ser o local de descobertas e entendimentos.

 

A escolha estratégica pelo curso

A precisão é fundamental para Klug, que trabalha atualmente como responsável técnico na construção de elevadores. A confiança na educação pública e federal, a excelência dos professores, a qualidade dos laboratórios e a alta carga horária de ensino-aprendizagem da UFSC foram os principais motivos que o levaram à prova do Vestibular 2019.

‘Por que o senhor está aqui, na UFSC? Por que nos escolheu?’, pergunto eu, instigada. “Quando eu fiz engenharia era isso que se usava”, falou ele ao retirar da pasta uma régua de cálculo, usada no curso de engenharia na década de 1960. “Isso era usado para fazer cálculo – trigonometria, logaritmo, multiplicar, tudo era feito ali. É Alemã, bonitinha, é uma recordação. Eu mostro sabe por quê? Porque eu estou desatualizado. Isso aqui não existe mais, ninguém mais usa. E se eu quiser continuar trabalhando com elevadores, como eu trabalho hoje, eu preciso me atualizar”, frisa ele, citando a consagrada frase do governo de Juscelino Kubitschek: “vai ser 50 anos em 5. Em cinco anos eu vou ter que pegar tudo isso e, ao mesmo tempo, me especializar em quadros de comando dos elevadores, uma eletrônica de altíssimo nível”.

O Censo da Educação Superior, que analisa dados educacionais de 2017, apontou que 7.792 pessoas acima dos 65 anos estão matriculadas em cursos de graduação presencial e à distância no Brasil. Destes, 2.461 têm mais de 70 anos. No Sul, são 367 matriculados acima dos 70 anos, sendo que em Santa Catarina são 62 estudantes nesta faixa etária.

A busca por atualização e profundidade são os objetivos de Ivo. Quando se formou o diploma foi emitido em pergaminho. “Os microcomputadores só vieram anos depois de eu estar formado. Agora, eu sinto essa dificuldade de acompanhar o avanço tecnológico, principalmente nos elevadores. Eu vou pegar essa base firme aqui, com vocês”.

Com um largo sorriso no rosto, os olhos do calouro brilham quando ele fala da expectativa de voltar aos bancos escolares. “Eu quero aprender pra valer, para projetar, entender o projeto, acompanhar uma construção na área eletrônica e isso a gente aprende aqui, no curso de Controle e Automação. Indo a fundo eu terei condições de abrir um painel elétrico e saber o que acontece lá dentro. Hoje, alguma coisa eu sei, mas não tudo”.

 

A prova do vestibular

Durante três dias, candidatos dos mais diversos estados adentram em uma sala de aula para responderem a questões sobre matemática, biologia, primeira e segunda língua, física, química, ciências humanas e sociais, redação e quatro questões discursivas. A prova do Vestibular UFSC é intensa, cansativa, mas é a etapa primordial para alcançar uma vaga em um dos cursos superiores da universidade.

A experiência de Klug com provas de vestibular iniciaram na década de 1960, que permitiu acesso ao primeiro curso superior. Mais de 50 anos depois, o candidato passou novamente por essa etapa, na mesma escola em que concluiu o Ensino Médio: Colégio Pedro. “A prova foi cansativa, é muito assunto. Quando me dava aquela ‘canseira’ durante a prova, aquela dúvida, eu olhava para fora, olhava o céu azul, buscava calma e focar na prova”.

Paralelamente, Klug fez cursos de informática, NR 10 (Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade) e Eletrônica Básica. Na visitas realizadas aos laboratórios de Sistemas Embarcados e Robótica e de Informática Industrial, na semana de matrícula, Ivo estava curioso sobre cada uma das máquinas. Lá, conheceu Pedro Arthur Cogliatti, estudante do mesmo curso que ele ingressará no segundo semestre. Enquanto um terminava o projeto que seria apresentado para Conclusão de Curso (TCC) em 11 de fevereiro de 2019, o outro observava atentamente os equipamentos que serão usados nas aulas práticas. “Eu gosto de estudar e sei estudar”, diz ele, ao recordar de como foi estimulado a prestar o vestibular. “Comecei a estudar aqui como aluno especial para sentir o potencial da universidade. Senti que é muito bom, desde o momento que fala com alguém, na sala de aula, as instalações, acho isso aqui fora de série. Não tem comparações, professores e estrutura. Eu me vejo em condições de realizar os sonhos da minha vida, de trabalhar com firmeza em cima de uma ou duas especialidades, eu quero ter o domínio completo”, frisa ele.

 

Passado e futuro

Ivo Klug tem muita bagagem. Trabalhou em bancos, escritórios de contabilidade, esteve no exército, passou pela indústria química, mexeu em caldeiras, turbinas e geradores no setor de energia elétrica, foi para a Alemanha entender de equipamentos para porcelana, esteve no sul do estado catarinense para trabalhar com companhias carboníferas, atuou na indústria têxtil, fábricas de caldeiras e para a indústria de papel, fundição de aço e ferro. Se aposentou em 2003, ano em que começou a lecionar, até ano passado. “Estavam precisando de engenheiro formado para dar o curso de Operações de Caldeira. Lecionei para mais de 40 turmas”, salienta ele.

Experiência profissional que contou, ainda, com um estágio sobre Geração Elétrica na França. Ufa! As vivências profissionais e acadêmica de Klug são, realmente, de tirar o fôlego. Incansável pode ser uma boa definição para este homem que não aparenta ter a idade que tem, segundo ele, “graças a prática da Ginástica Calistenia”.

Quando já estiver completado 80 anos começará as aulas na UFSC. E o que dizer às pessoas que dizem não conseguir fazer um curso superior? O segredo está em descobrir a sua vocação. “A minha eu descobri trabalhando numa área que não era minha: fabricar cerveja.Eu poderia estar fabricando cerveja há mais de 50 anos, mas eu resolvi fazer engenharia, porque eu descobri na cervejaria que a minha vocação eram máquinas. E nessa área eu tive a oportunidade de atuar com elevadores, termelétricas, tudo na área de mecânica. Então eu não preciso ser motivado, porque eu tive essa sorte, mas nem todos tem. Por isso, digo, comece a trabalhar em alguma coisa e, quem sabe lá, você descobrirá a tua vocação”.

Ivo fará todas as disciplinas, não pensa em validar nenhuma delas, porque quer aproveitar todo o conhecimento disponível nas 4.400 horas do curso. “Eu digo para todos: entre numa Federal porque lá é tudo coisa boa, bem feita e séria. Olho para tudo isso e sinto orgulho. Se estiver difícil, estude, porque depois de entrar você não vai se arrepender. Eu não me arrependo. Vou fazer tudo bem feito e sair daqui com o diploma na mão dizendo assim: ORGULHOOOO!”, cantarola Ivo Klug diante da expectativa de conquista futura do diploma.

Fotos: Eduardo Amorim / Comicom / Campus Blumenau