Intercambista alemã apresenta resultado de projeto têxtil nesta sexta-feira (13/9)

09/09/2019 09:39

(Atualizado em 09/09/2019, às 17h14min)

A aluna Anika Egelkamp apresentará nesta sexta-feira, 13 de setembro, o resultado de seu projeto desenvolvido no curso de Engenharia Têxtil do Campus Blumenau da UFSC. A apresentação acontece às 10h, na sala A305, da Sede Acadêmica (Bloco A, 3º andar), e é aberta ao público em geral.

Anika é aluna da Hochschule Niederrhein Mönchengladbach - University of Applied Sciences (Alemanha), e está na UFSC Blumenau desde abril deste ano. Durante esse tempo, desenvolveu uma coleção de moda praia, com uso de tingimentos naturais (técnica de botanical printing) sob orientação da professora Catia Rosana Lange de Aguiar.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui e leia a entrevista com Anika.

(Daiana Martini/Comitê de Comunicação UFSC Blumenau)

Tags: engenhariaintercâmbioprojetotextil

UFSC Blumenau recebe os primeiros estudantes internacionais

26/08/2019 12:10

Este ano o Campus Blumenau da UFSC deu um importante passo no seu processo de internacionalização ao receber seus dois primeiros alunos estrangeiros: Anika Egelkamp, da Alemanha, e Romel Antonioni Ascención Campos, do Peru, ambos do curso de Engenharia Têxtil.

Anika tem 22 anos e é de Mönchengladbach, cidade próxima à fronteira com a Holanda. Ela chegou aqui em abril e ficará até o mês de setembro. Já Romel tem 39 anos, é de Lima, e ficará no Campus Blumenau até finalizar a graduação.

Conheça um pouco mais sobre o que cada um está desenvolvendo na UFSC, seus objetivos e motivações. Leia abaixo:

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Anika utilizou técnicas de tingimento com casca de cebola para compor as peças de sua coleção beachwear

Nome: Anika Egelkamp
Idade: 22 anos
Universidade de origem: Hochschule Niederrhein Mönchengladbach University of Applied Science – Alemanha.
Curso: Gestão de Têxteis e Vestuário (Textile and Clothing Management)

1. Seu intercâmbio foi viabilizado por qual programa?
Foi através de um convênio entre a minha instituição e a UFSC. Meu curso é um curso internacional, as aulas são ministradas em inglês. Nós temos que cursar obrigatoriamente um semestre fora, em outra universidade, ou realizar um estágio. É como um semestre prático para você ganhar experiência. Então meu supervisor entrou em contato com a coordenação do curso daqui e eu também consegui uma bolsa de estudos para vir desenvolver meu projeto aqui.

2. Durante quanto tempo você ficará na UFSC?
Eu cheguei em abril de 2019, assim que finalizei as minhas provas na Alemanha, e retorno em setembro deste ano.

3. Quais atividades você está desenvolvendo?
No início eu tentei acompanhar algumas disciplinas, mas como são todas em português não deu muito certo [risos]. Eu até tentei acompanhar algumas práticas em laboratórios, me baseando pela observação, mas preferi focar no meu projeto devido ao meu interesse em sustentabilidade e de minha formação ligada à moda. Eu estou desenvolvendo uma coleção de biquínis sustentáveis com uso de tingimentos naturais (técnica de botanical printing). Optei pela linha de beachwear por ser algo muito brasileiro e porque as peças possuem uma modelagem fácil de cortar e costurar. Eu também estou realizando um estágio na TexNeo, em Indaial-SC. Na UFSC Blumenau conto com a supervisão da Profª Catia Lange de Aguiar e orientações das professoras Fernanda Steffens, Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar e auxílio do estudante do curso de Engenharia Têxtil, Jean Fantoni.

4. O que te fez optar pelo Campus Blumenau da UFSC?
Eu queria muito estar em um país longe da Alemanha e como a minha universidade já tinha esse contato com a UFSC eu aceitei - apesar de não saber falar português, o que era um risco bem grande. Mas a Catia foi tão legal e me colocou essa possibilidade de poder desenvolver um projeto, o que foi melhor para mim por ser mais prático se comparado aos meus outros colegas que foram para outras universidades apenas para cursar disciplinas. A bolsa de estudos também facilitou bastante a minha estadia. Eu gosto muito da América do Sul, eu já estive no Chile em um outro intercâmbio durante o ensino médio. E Blumenau por ser uma região de indústria têxtil.

5. Você já conheceu outros lugares aqui no Brasil?
Sim, fui à São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu. Em Santa Catarina, Pomerode, Balneário Camboriú, Itajaí, Praia do Rosa. Eu gostaria muito de ir para a Bahia e conhecer um pouco do Norte, mas como eu viajaria sozinha acho que seria muito difícil.

6. Quais as principais diferenças que você identificou entre a sua universidade de origem e o Campus Blumenau da UFSC?
O Campus aqui é menor do que minha universidade. Isso faz com que a relação entre professores e alunos seja muito mais próxima, o que eu realmente gosto! Na Alemanha você tem que ser muito formal e ter muito cuidado com o que você fala para ao seu professor. Aqui vocês até trocam presentes, como na Páscoa, por exemplo. O estilo educacional de vocês também é mais interativo, vi muitos alunos integrando e trabalhando juntos e não apenas como espectadores. A principal diferença que eu vejo são nas relações mesmo. Ah, ok, lá a gente utiliza mais tecnologias do que aqui [risos].

7. Sobre a cultura brasileira, quais são as suas impressões?
Ah, eu gosto muito! A cultura brasileira é muito rica, a comida, a música, as pessoas...o comportamento das pessoas, eu gosto muito, me deixa muito feliz. Eu sei que devem ter outros alemães que pensariam “ai nossa, isso é uma loucura, eles se encostam!” [risos]. Mas eu adoro, me fez sentir muito bem-vinda e confortável aqui. Na Alemanha a gente também tem estudantes de outros países, mas geralmente eles ficam mais distantes, em seus próprios grupos e isso me deixa um tanto triste.

8. E você fez muitas amizades por aqui?
Eu consegui fazer vários amigos. Logo quando cheguei, até eu encontrar um lugar para morar, eu fiquei hospedada na casa de uma colega da UFSC. Aos poucos fui fazendo mais amizades. No meu estágio também fiz amizade com uma colega, nós saímos bastante.

9. Aqui na região de Blumenau você encontrou muitas pessoas que falam o alemão?
Em Blumenau nem tanto, mais em Pomerode, nos restaurantes e festivais por lá. Alguns professores e estudantes que tem pais descendentes de alemães também falam um pouquinho. Também conversei com algumas pessoas mais idosas, mas eu notei que foi bem difícil de compreender porque se trata de um alemão antigo, muito diferente. Eu acabo mais falando o inglês mesmo.

10. Quais seus planos após a graduação?
Eu ainda não tenho certeza. Talvez fazer meu mestrado em outra universidade. Mas também, por causa desse meu projeto, tenho uma ideia de fazer um website para vender as minhas peças. É um grande risco, então não sei ao certo, mas seria ótimo poder fazer algo a partir desse projeto que estou desenvolvendo aqui.

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A vocação têxtil familiar influenciou Romel a seguir estudos formais na área

Nome: Romel Antonioni Ascención Campos
Idade: 39 anos
Cidade e país de origem: Lima, Peru

1. Você veio por meio de qual programa?
No Peru nós fazemos uma preparação antes de entrar na Universidade, chamada Academia. Eu fiz essa preparação lá e vim estudar no Brasil pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), primeiramente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, onde cursei Engenharia Têxtil por um ano. Depois, solicitei transferência para a UFSC.

2. Por que escolheu a Engenharia Têxtil?
Minha família tem empresa no setor têxtil, eles trabalham com malha, estamparia e também com confecção de vestuário infantil. Eles fazem de uma forma sem conhecimento formal, técnico, o que não permite que eles cresçam mais. Eu também trabalhei por muito tempo em confecção, por isso decidi estudar Engenharia Têxtil.

3. Você pretende ficar até quando na UFSC?
Vou finalizar a minha graduação aqui.

4. Já conhecia Blumenau antes?
Sim, durante o tempo que estudei na Universidade Estadual de Maringá, fizemos um estágio aqui numa empresa da área têxtil.

5. Por conta desse estágio você já sabia então que a região do Vale do Itajaí era um polo têxtil?
Sim, eu me inteirei depois que aqui tinham muitas fábricas, muitas empresas grandes. Eu também visitei a Febratex e foi muito legal.

6. O que te fez escolher o Campus Blumenau da UFSC?
Lá no Paraná eu estudava no Campus Goioerê da UEM. A universidade é muito boa, mas a cidade é muito pequena. Eu podia cruzar a cidade toda, de ponta a ponta, em 30 minutos. A cidade é muito limitada e, para os estrangeiros, isso é muito complicado. Fica muito longe dos aeroportos, o que dificulta as viagens para o meu país. E às vezes precisava de material didático e não tinha, então tinha que pedir de outra cidade ou viajar para comprar.

7. O que está achando das disciplinas cursadas aqui?
Em nível educacional eu acho que está ótimo. Só acho que poderia aprimorar a integração com as empresas da região, para que os alunos formados aqui trabalhem nessas empresas.

8. O que está achando da cidade e da região?
A cidade é bonita, muito tranquila e sossegada. Supostamente Blumenau é a cidade da cerveja, né? Por isso também estou aqui! [risos] Pretendo ir na próxima Oktoberfest para conhecer.

9. E você já conheceu outras cidades de Santa Catarina?
Fui para Florianópolis, conheci a UFSC de lá e locais próximos. Ainda não fui à praia, ainda não deu tempo.

10. Como está sendo a convivência em outra cultura? Tem alguma diferença cultural que mais chamou sua atenção?
Tem muita diferença de cultura. Meu país é muito diverso, a população de Lima é mais migratória, vinda de outras províncias e outros polos da região. A maior diferença daqui é a ordem. Há muito respeito entre os vizinhos, o trânsito é muito organizado. Tem gente que reclama do trânsito aqui, mas lá em Lima é muito mais complicado. A comida também é muito diferente. Aqui todo dia as pessoas comem salada, arroz, feijão e carne. Todo dia é arroz e feijão! [risos]. Na culinária peruana tem muita diversidade, é uma mistura de muitas culturas. Eu estou estranhando um pouco, porque meu paladar é acostumado a outro tipo de comida.

11. Quais são os seus planos para o futuro, depois que terminar a graduação?
Pretendo fazer o meu estágio final em uma boa empresa e para depois conseguir um trabalho bom. Como vim para o Brasil pelo Programa de Estudantes-Convênio, quando terminar o curso, tenho que voltar para o meu país. No futuro pretendo abrir a minha própria empresa.

(Camila Collato e Daiana Martini/Comitê de Comunicação UFSC Blumenau)

Tags: estudantesintercâmbiointernacionalufsc

UFSC disponibiliza auxílio financeiro para Mobilidade Acadêmica Internacional

19/08/2019 17:13

As inscrições para o primeiro edital da Secretaria de Relações Internacionais (Sinter) de Mobilidade Acadêmica Internacional – MAI estão abertas até 8 de setembro. O foco são estudantes da UFSC que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica devidamente comprovada.

Os selecionados receberão auxílio financeiro no valor de R$ 15 mil para custeio de despesas de passagens aéreas, acomodação, alimentação e taxas durante o período da mobilidade. Serão escolhidos quatro estudantes regularmente matriculados nos cursos de graduação.

edital completo e mais detalhes estão disponíveis no site da Sinter.

Mais informações pelo e-mail si

(Fonte: Notícias UFSC)

Tags: Editalintercâmbiointernacionalizaçãomobilidadeufsc

Um intercâmbio pela paz: pesquisadoras colombianas realizam estudos no Campus Blumenau da UFSC

16/07/2019 15:18

Daniela Montoya Osorio

(Atualizado em 17/07/2019, às 12h53min)

Educar para a paz. A ideia pode parecer incomum, porém já gera bons frutos na Colômbia, país latino-americano que resolveu colocar em prática o velho jargão – porém, não menos atual – de que apenas a educação é capaz de transformar um cenário social de exclusão e violência em inclusão e desenvolvimento.

Durante o mês de junho, o Campus Blumenau da UFSC recebeu duas pesquisadoras colombianas que atuam como docentes de Matemática na educação básica de Medellín. Ángela María Quiceno Restrepo (26 anos) e Daniela Montoya Osorio (27 anos) vivem e lecionam na cidade, que já foi considerada uma das mais violentas do mundo na década de 90 em razão do narcotráfico. Hoje elas auxiliam a manter viva a virada por cima do município, que hoje ostenta um título bem mais positivo: o de mais inovador do mundo.

Ángela María Quiceno Restrepo

Em 2015, por meio de um decreto legislativo, estabeleceu-se que todas as escolas colombianas deveriam ter uma disciplina denominada “Cátedra para a Paz”, como estratégia de propagação da cultura pacífica entre crianças e jovens. Os projetos ligados à componente curricular estão diretamente direcionados aos professores das áreas de ciências humanas, naturais e sociais, algo que está sendo questionado por Ángela e Daniela por meio da pesquisa denominada “Matemáticas, educación y paz en la escuela”, sob orientação da Profª Carolina Tamayo Osorio. Durante dois anos, as pós-graduandas da Universidad de Antioquia pretendem superar a separação entre profissionais das ciências exatas e humanas ao provocar o debate sobre as implicações éticas e práticas da utilização dos conhecimentos matemáticos em conflitos bélicos.

Recepcionadas pelo professor Julio Faria Corrêa, as pesquisadoras realizaram um intercâmbio de um mês no Campus Blumenau da UFSC, período em que também participaram da "Jornada de 27 de Junho", promovida pelo Grupo de Pesquisa em Educação, Linguagem e Práticas Culturais (PHALA), na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo. Aproveitando a troca de experiências, Ángela e Daniela explicam as razões que as levaram a escolher o Brasil como campo de estudo e também as perspectivas de atuação social e educacional proporcionadas pela pesquisa. Leia abaixo:

(Da esq. p/ dir) Daniela, Julio Corrêa e Ángela em evento da área de Educação na Unicamp.

1. O que motivou vocês a trabalharem no tema da paz?

Ángela – Sinto que o trabalho para a paz, com a paz e pela paz é um assunto que compete a todos, especialmente em um país como a Colômbia que viveu tanto tempo entre o conflito. As escolas, hoje em dia, estão cheias de desafios e eu como professora estou envolvida no trabalho da minha turma de matemática com as crianças e na problematização dos aspectos sociais que funcionam em todas as áreas do conhecimento. O Ministério da Educação Nacional da Colômbia sustenta que há disciplinas fundamentais para trabalhar o tema da paz nas escolas e não está incluída a Matemática, então, querer trabalhar a construção da paz em meu ambiente, a partir da Matemática, é um ato de resistência.

Daniela - São muitas as questões que me motivaram a trabalhar em prol da paz, uma das quais foi que uma vez tive experiências próximas com a guerra e, embora não tenha sido diretamente afetada, senti-me tocada. Agora que tive a oportunidade de estudar, senti a necessidade de mobilizar e refletir com os alunos e na escola onde trabalho como forma de contribuir para a paz - tão necessária na Colômbia e que todos nós precisamos. Trabalhar com paz é uma maneira de elevar a voz e falar por aqueles que não foram ouvidos, para ressignificar formas de viver e reconstruir a história do meu fazer e do meu ser a partir da matemática.

Pesquisadoras participam de Jornada em São Paulo com demais docentes brasileiros da área de educação.

2. Por que a escolha pelo Brasil para desenvolvimento da pesquisa?

Ángela - Lembro que desde a minha graduação, fazer um estágio estudantil era uma conquista pessoal indescritível. Agora que estou cursando o mestrado, ter desembarcado no Brasil foi um sonho que se tornou realidade. Nosso trabalho na perspectiva da Filosofia da Linguagem e da Matemática, com a perspectiva de autores como Wittgenstein, Derrida, Deleuze, tem sido muito bem fundamentado neste país. Além disso, um dos nossos principais autores para leitura e construção do nosso trabalho é o professor Julio Corrêa. Portanto, ter a possibilidade de compartilhar alguns espaços acadêmicos com ele foi muito relevante para a pesquisa. Também o divertido e interessante em conhecer o Brasil foi perceber que, como países da América do Sul, compartilhamos muitos problemas sociais semelhantes, nossas escolas, nossos governos ... então a ideia é continuar lutando pelas utopias.

Daniela - Chegar ao Brasil é um evento que não foi planejado recentemente, teve toda uma história, mas vou tentar resumir aqui. Desde que comecei a estudar Educação Matemática antes da graduação que me interessou este país (Brasil). Discutíamos textos de diferentes autores brasileiros e, no grupo de pesquisa (MES) do qual faço parte, alguns haviam tido a experiência de conhecer o Brasil, sua cultura, sua educação e, acima de tudo, aquelas pessoas que nos permitiram ter esse olhar crítico sobre a Matemática e o mundo em si. A partir daí esse interesse começou. Já no mestrado esse desejo aumentou, especialmente porque neste país vivem algumas das nossas referências sobre o trabalho em paz - como os professores Julio Corrêa e Antonio Miguel – que, a partir de suas perspectivas filosóficas, nos mostraram que a paz é uma preocupação não só dos colombianos, mas de todos nós que estamos interessados em um mundo melhor. Ter então a oportunidade de conhecer o Brasil e de nos vermos enriquecidas pelo conhecimento, amizade e hospitalidade foi um fato que, sem dúvida, contribuiu para continuar nesse processo de pensar e trabalhar pela paz.

3. Quais são suas metas para os estudantes da educação básica por meio da pesquisa?

Ángela - Construir a paz na escola tem sido um desafio para todos nós ao procurarmos relações ou até mesmo ao entendermos como estamos usando a Matemática, ou quando problematizamos práticas militares. Tem sido um trabalho complexo, mas satisfatório ao mesmo tempo não só para as crianças, mas também para mim, porque nesse processo eu também me construí e também me desconstruí no sentido de Derrida, aprendi a ver as coisas além do que levamos para a sala de aula. Minha ideia ao fazer a pesquisa com crianças do 5º ano foi mostrar-lhes outras possibilidades, outras formas de ver o mundo, outras maneiras de ver a Matemática além da lista de conteúdos que estão nos planos curriculares das escolas, motivá-las e mostrá-las também algo da história do nosso país.

Daniela - Com esta pesquisa pretendemos problematizar, na aula de Matemática, aspectos que alguns não acreditariam ser possíveis pelo fato de não encontrarem relações. Exatamente, é poder contribuir para a paz a partir e com a Matemática: abrir espaços para reflexão, fazer terapia e desconstruir as ideias estruturadas que nos fizeram ver como naturais, em locais onde não há espaço para novos pensamentos, novas ideias e novos caminhos. Até certo ponto, é possível que os alunos enxerguem além do que acontece na escola e sejam capazes de lidar com os problemas de seus contextos externos à Matemática como uma prática social.

4. Quais perspectivas vocês veem para uma maior participação dos professores e profissionais das ciências exatas na resolução dos problemas sociais?

Ángela – Eu sinto que devemos começar quebrando a ideia de que Matemática tem a ver com a realidade, mas não com os problemas sociais reais. Parar de vermos as "Ciências Exatas" como um conjunto de conteúdos conceituais que se comportam de uma maneira determinada, porque isso implica não vê-las envolvidas nas práticas sociais que os seres humanos realizam em seus diferentes contextos.

Daniela – A partir de nossa pesquisa, claramente observamos que é fundamental falarmos da Filosofia da Educação Matemática e da Filosofia da Linguagem, desde qualquer área de conhecimento, porque ao trabalharmos com elas estamos rompendo padrões, desconstruindo ideias e pensamentos que se instauraram precisamente a partir das concepções das ciências exatas. Ousamos problematizar práticas sociais como a paz e a guerra a partir da área da Matemática, esta que tem sido tratada como uma das mais formalistas das ciências. Portanto, consideramos que a perspectiva filosófica de Wittgenstein é uma grande possibilidade para professores e alunos pensarem sobre os problemas da sala de aula desde uma área específica.

 

(Camila Collato/Comunicação UFSC Blumenau, com informações Julio Faria Corrêa)

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