Síndrome de Down: UFSC Blumenau participa de desfile inclusivo “Toda Beleza”

12/11/2018 16:52

A UFSC Blumenau participou do "Desfile Toda Beleza", no dia 07/11, organizado com o intuito de provocar um debate em torno da visibilidade das pessoas com Síndrome de Down, bem como divulgar a Cafeteria Especial, um estabelecimento que irá contar com toda uma equipe colaboradora composta por jovens e adultos que apresentam esta deficiência. O evento foi realizado no Shopping Park Europeu, o qual se tornou um espaço dedicado à problematização da inclusão no mundo do trabalho e da Educação. A UFSC foi representada pelas docentes Renata Orlandi, Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar, Fabiana Schmitt Corrêa, Graziela Piccoli Richetti e Ana Júlia Dal Forno, pela intérprete em libras Patrícia Taffarel e pela assistente em administração Priscila Margarete Bona, bem como por catorze estudantes dos cursos de Licenciatura em Química, Licenciatura em Matemática, Engenharia Têxtil e Engenharia de Materiais.

A equipe da Universidade colaborou na produção do evento como um todo, englobando também a sistematização das biografias dos modelos, todos estes representantes dos 300 mil brasileiros com Síndrome de Down. Em meio às atribuições envolvidas na organização de um evento como este, destacou-se a responsabilidade da universidade no que tange à promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência, sobretudo, quanto à interpretação em Libras dedicada à comunidade surda e à audiodescrição dos acontecimentos da noite, a qual foi planejada e executada para o público com deficiência visual, mais especificamente, para um expectador cego que prestigiou o desfile (Michel Kleinschmidt- analista do Ministério Público da União).

Sustentabilidade Social e Direitos Humanos - O projeto teve ainda como objetivo central desenvolver uma coleção de uniformes para a Cafeteria Especial, em coprodução com os futuros funcionários do café, tendo como base a reflexão sobre as diferentes dimensões da sustentabilidade. A contribuição das pessoas com Síndrome de Down contempladas pelo projeto foi fundamental em cada uma das etapas abarcando desde a realização de entrevistas, bem como de reuniões voltadas para a execução deste processo de modo a atender as demandas e desejos dos envolvidos. Dentre os diferentes pilares da sustentabilidade, privilegiou-se o social.

(Foto Jaime Batista da Silva)

A sustentabilidade social foi contemplada por meio do desenvolvimento de produtos para pessoas com deficiência intelectual, mais especificamente com Síndrome Down, e do envolvimento de outras instituições copartícipes. Além da sustentabilidade, o projeto teve como base as diretrizes do Desenho Universal, cujo objetivo é desenvolver produtos para todas as pessoas, com ou sem deficiência. A acadêmica Celina de Oliveira, do curso de Engenharia Têxtil e o acadêmico de Felipe Michels, orientandos da professora Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão (coordenadora do projeto de extensão intitulado “Tecnologias para o desenvolvimento inclusivo: coprodução de tecnologias assistivas para cegos em interação social”) criaram os uniformes com a colaboração da professora Renata Orlandi e dos demais estudantes vinculados ao Laboratório de Ciência, Tecnologia e Inovação (LABCTI/UFSC). A professora Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar orientou a parte técnica do desenvolvimento de produto.

Esta ação de extensão proporcionou a retirada dos participantes (tanto das proponentes e estudantes, como da comunidade externa) de suas respectivas zonas de conforto, gerando-se um espaço inusitado para uma prática social educativa. Transcendendo uma fala sobre o outro e as respectivas relações de alteridade, provocou-se um o encontro com este outro, com pessoas que até poucas décadas atrás eram excluídas do convívio social e das relações de sociabilidade. A noção de representatividade e de visibilidade é determinante para a efetivação dos Direitos Humanos, sendo o fazer acadêmico ético crucial na problematização das relações de poder em meio à diversidade e à (des)igualdade. Uma noite, portanto, dedicada à visibilidade e ao acolhimento das pessoas com Síndrome de Down, consideradas em sua singularidade, cidadania, emancipação e potência para a transformação social.

Depoimentos de quem estava lá

Participar da realização deste evento nos trouxe uma grande lição de vida e, sem dúvida, transformou a concepção de mundo de cada um que esteve presente. Presenciar e colaborar com a inclusão social foi muito gratificante. A alegria de cada um(a) dos(as) modelos contagiava a todas e a todos, impossível não emocionar-se com o brilho de cada um deles”.
- Elóra Maysa Cerutti (estudante matriculada na 4ª Fase de Licenciatura em Química- Campus Blumenau da UFSC)

Auxiliar na audiodescrição do desfile foi um desafio prazeroso. Narrar um desfile de moda não é uma tarefa fácil e comum, principalmente, porque estamos presos na imagem e quando temos que narrá-la verbalmente, de uma forma que a pessoa que não enxerga possa compreender e criar uma imagem mental do acontecimento é difícil. Aprendi muito com a experiência e gostaria de fazer um curso de audiodescrição para me aperfeiçoar no assunto. O desfile foi lindo e com uma alegria contagiante. Foi gratificante ver o envolvimento de alunos e professores no evento. Agradeço a professora Renata por me convidar para participar. Parabéns a todos os envolvidos”.
- Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar (Docente do Curso de Engenharia Têxtil- Campus Blumenau da UFSC)

Quando recebemos o convite para desenvolver um modelo de uniforme para Cafeteria Especial, nos sentimos desafiados e contentes em fazer parte desta ação. Além de nós, bolsistas de um projeto também com perspectiva inclusiva, os demais integrantes do LABCTI (Laboratório de Ciência, Tecnologia e Inovação) sentiram-se estimulados em contribuir de alguma maneira. Desse modo, o uniforme reuniu um pedacinho da ideia de cada um, sempre com foco no bem-estar e satisfação dos protagonistas deste lindo evento. Depois de muitas ideias, desenhos e discussões, ver o evento sendo realizado com muito sucesso nos encheu de orgulho e alegria, pois a expectativa aumentava em cada etapa desse projeto de inclusão. Esperamos continuar acompanhando os passos desta nova caminhada, pois acreditamos em seu potencial, afinal, ser diferente é normal”.
- Celina de Oliveira (estudante matriculada na 4º fase de Engenharia Têxtil na Universidade Federal de Santa Catarina)
- Felipe Michels (estudante matriculado na 6º fase de Engenharia de Materiais na Universidade Federal de Santa Catarina).

(Comunicação UFSC Blumenau. Texto de Renata Orlandi e Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar)